Vi ontem (hoje é 2012 07 20, segunda-feira) no Fantástico o problema do atendimento pelos planos de saúde. Felizmente, não tive que enfrentar o problema; meu plano, o Plasc nunca me negou nada e, olha que o venho usando bastante. Ás vezes, tem-se que esperar em salas de espera imensas mas, pensando bem, é muita gente para ser atendida mas tudo se resolve.
Mesmo em clínicas particulares, pagando no dinheiro, há o problema do atraso – claro que existem aquelas clínicas extremamente desorganizadas e que acolhem um número de clientes maior do que a sua capacidade de atender. Por outro lado, há os problemas médicos (não sei bem se o termo é este) que acontecem no dia a dia de qualquer clínica, mesmo as mais modernas e organizadas. Eu sempre reclamei muito disto – consulta particular com hora marcada que passa muito da hora. Reclamei várias vezes com o Dr. Antonio Gabriel destes atrasos até o dia em que “participei” de um atraso. O cliente que ele atendeu antes de mim teve um atendimento que se complicou com o diagnóstico – parece que o médico concluiu que teria que fazer uma cirurgia com certa urgência e que isto só fora constatado naquela consulta. Evidentemente, o Dr. Antonio teve que prolongar este atendimento que exigiu uma série de exames não previstos e nem adiáveis e, depois, telefonemas do paciente para se adaptar à situação enquanto o médico aguardava para concluir o caso. Apesar do atraso, fui forçado entender as razões do problema. O médico estava fazendo bem o seu trabalho.
Finalmente, fui atendido, já com um grande e perfeitamente compreensível atraso de pouco mais de uma hora. E lá fui eu para a minha consulta. Evidentemente, eu esperava apenas um exame de rotina e uma receita de novos óculos – puro engano. Lamentavelmente, o médico, já na anamnese, percebeu que eu tinha um problema que eu nem imaginava ter, embora sentisse algo estranho que eu debitava à idade avançada. Pra encurtar a conversa, fui para uma outra sala com outros aparelhos e, depois, mais outra. Resultado, minha consulta que deveria durar algo como 20 minutos acabou durando mais de uma hora e eu tive que voltar na semana seguinte para novos exames que acabaram resultando em uma cirurgia mal sucedida com outro médico da mesma clínica.
Consequentemente, o atendimento daquele médico, que já estava atrasado por causa do primeiro paciente sofreu ainda um atraso bem maior com o meu problema.
A partir daí, vi que, alguns médicos atrasam seus atendimentos involuntariamente por causa de imprevistos desenvolvimentos das consultas. E, nestes casos, não há reclamação que dê jeito – houve complicações devidas às condições dos clientes e o facultativo não pode, em sã consciência, evitar que isto aconteça. Assim, respire fundo, junte toda a paciência do mundo e torça para que você não seja o próximo cliente “problemático”.
Bem, voltando ao caso do Fantástico. Os planos de saúde têm a sua burocracia – em algumas empresas, isto é apenas protelação para que o cliente desista ou passe a pagar mais. Há também os desentendimentos entre a empresa e o cliente ou a clínica. Fiz uma cirurgia com o Dr. Ricardo Martin sem nenhuma dificuldade – ele mesmo marcou a data e a hora e me deu um formulário que eu levei a um posto de atendimento do Plasc e, depois de aguardar 5 minutos, a atendente registrou no computador, e me pediu que retornasse no dia seguinte quando me entregou a autorização para a cirurgia. Uma semana depois da operação, extremamente bem sucedida, Dr. Ricardo marcou uma nova cirurgia, no outro olho e procedeu da mesma forma – lá fui eu com o formulário ao plano de saúde para pegar a autorização e resolvi tudo depois de esperar uns 15 minutos porque havia muita gente para ser atendida - algo perfeitamente compreensível. O procedimento foi o mesmo, voltei no dia seguinte para pegar a autorização para a nova cirurgia e resolvi tudo depois de esperar uns 15 minutos. Já no ponto do ônibus, decidi ler a autorização e verifiquei que havia algo que não batia. Nestes casos, não adianta voltar ao atendente do plano de saúde porque, como leigo, você não tem argumentos para substanciar a queixa – destarte, fui à clínica e conversei com a secretária. Ela fez uma anotação no formulário e eu voltei ao Plasc. Não deu certo. Até chamaram um médico auditor que me mostrou que eles estavam certos – certos eles estavam mas, eu também estava certo de que o procedimento cirúrgico autorizado era diferente do primeiro que havia sido feito dias antes e tudo estava bem vivo em minha memória. Não dava pra discutir com o médico. Voltei à clínica e a moça me explicou que a divergência era por causa de u’a mudança de códigos que era recente. Novo acerto na ficha, e, eu voltei ao plano de saúde, e, novamente, deu errado. Não sei onde eu estava arranjando tanta paciência – resolvi mudar de método de resolução do problema. Em frente ao atendente com seu computador, peguei o celular e liguei para a clínica. Entreguei o celular ao atendente e pedi-lhe que procurasse se entender com a secretária da clínica já que eu estava mais perdido que cego em meio de um tiroteio. A conversa durou alguns minutos, argumentos de lá pra cá, de cá pra lá e, finalmente, os dois se entenderam, o médico auditor concordou com tudo. Eu só tinha que voltar à clínica para que um formulário inteiramente novo fosse providenciado. Pronto, tudo foi resolvido. Tinha havido um desentendimento burocrático de parte a parte e, todo mundo, inclusive eu, havia demonstrado estar em dia de graças e cheio de paciência. Não era maldade, não era fraude; era apenas um desentendimento burocrático e o uso de códigos diferentes. Sinceramente, tenho que tirar o chapéu para o pessoal da clínica e do plano de saúde que, em nenhum momento, demonstrou má vontade e só queria ajudar.
Talvez eu tenha tido sorte de procurar a clínica certa e o plano de saúde igualmente certo. Tudo saiu perfeito apesar de eu ter batido o recorde de uso dos mesmos ônibus pra lá e pra cá e de cá pra lá numa só manhã.
O tratamento com o Dr. Ricardo Martin foi um sucesso absoluto e, depois de usar óculos para tudo durante 55 anos, oito horas depois da segunda cirurgia, eu estava em frente à TV vendo tudo menos os óculos que estavam guardados em uma gaveta e já foram doados ao Instituto dos Cegos.
Voltamos ao Fantástico. Pelo que vi, não sei que plano de saúde foi mostrado, mas foi definitivamente, uma casa de gatos, destas que afanam os suados Reais dos Segurados e fazem aquilo que se viu na reportagem, uma imundice.
As pessoas devem procurar se informar sobre outros planos de saúde e fazer a Portabilidade, ou seja, exercer o direito legal de mudar de plano sem carência e, se isto for negado, apelar pra Justiça que, pelo que se viu na TV, resolve a coisa com certa rapidez. Muito importante também, é procurar o médico certo pois há muito médico se apresentando como “piloto de Ferrari” e, só depois da cirurgia, você vai descobrir que ele é um carroceiro.